Os Estados Unidos intervieram nos conflitos internos russos e até 1933 não reconheceram o Estado soviético. Embora aliados contra a Alemanha nazista, a aliança se desfez após a vitória sobre a própria Alemanha, por causa de insuperáveis diferenças ideológicas.
Os diferentes interesses pós-1945 levaram a suspeitas e hostilidades mútuas em meio a uma rivalidade crescente fundamentada na ideologia. Alguns historiadores, invocando a geopolítica e outras razões, argumentam que as relações entre os poderes durante a Guerra Fria não eram piores do que as existentes em outras épocas. Entretanto, a natureza ideológica da luta e a ameaça de um holocausto nuclear colaboraram para esconder as tensões políticas que ressurgiram em várias partes do mundo, uma vez que a antiga forma de organização e relacionamento entre os países havia sido modificada. Paradoxalmente, a Guerra Fria assegurou a paz militar na Europa durante quase 50 anos.
Formação de alianças
Não há consenso entre os historiadores sobre uma data ou evento preciso que seja apontado como determinante do início da Guerra Fria. Os critérios empregados variam muito.
Não obstante, o fato é que, após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a União Soviética, que haviam se aliado para enfrentar a ameaça de domínio representada pelo niponazifascismo, emergiram como os Estados mais poderosos do sistema internacional.
A partir de então, esses dois Estados colocaram em prática uma política expansionista, visando a ampliação de suas respectivas zonas de influência. A União Soviética manteve um rígido controle sobre os países socialistas do Leste Europeu e fomentou processos revolucionários em todos os continentes, com objetivo de expandir o comunismo pelo mundo. Os Estados Unidos, por outro lado, reagiu com uma política de contenção do avanço soviético e ampliação de sua respectiva zona de controle e influência sobre os países capitalistas. Por razões geográficas, a Europa foi a zona central da divisão das respectivas esferas de influência e do embate entre os dois Estados.
A necessidade de defesa deu início a um movimento de agregação entre os Estados, provocando a formação dos Blocos. Os Blocos se sustentaram pela proteção militar e colaboração econômica mútuas. Os Estados Unidos colocaram em prática um plano de ajuda econômica, o Plano Marshall, com a finalidade de apoiar a reconstrução dos países da Europa ocidental.
Em 1949, os Estados Unidos promoveram a criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), também chamada de Aliança Atlântica, que se encarregou da coordenação da aliança militar entre os países integrantes do Bloco ocidental.
A União Soviética, por sua vez, criou o Comecom (Conselho para Assistência Econômica Mútua), em 1949, organização que coordenou a política de colaboração e integração econômica entre os países socialistas do Leste europeu. E, em 1955, os soviéticos promoveram a criação do Pacto de Varsóvia, que representou a organização militar dos países socialistas do Leste europeu.
No transcurso da Guerra Fria, a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial foi uma ameaça real. Mas o equilíbrio de poder (balance of power) proporcionado pela existência das armas nucleares, e com elas a garantia da "destruição mútua assegurada", evitou que os Estados oponentes declarassem formalmente guerra um ao outro.
Não obstante, o fato é que, após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a União Soviética, que haviam se aliado para enfrentar a ameaça de domínio representada pelo niponazifascismo, emergiram como os Estados mais poderosos do sistema internacional.
A partir de então, esses dois Estados colocaram em prática uma política expansionista, visando a ampliação de suas respectivas zonas de influência. A União Soviética manteve um rígido controle sobre os países socialistas do Leste Europeu e fomentou processos revolucionários em todos os continentes, com objetivo de expandir o comunismo pelo mundo. Os Estados Unidos, por outro lado, reagiu com uma política de contenção do avanço soviético e ampliação de sua respectiva zona de controle e influência sobre os países capitalistas. Por razões geográficas, a Europa foi a zona central da divisão das respectivas esferas de influência e do embate entre os dois Estados.
A necessidade de defesa deu início a um movimento de agregação entre os Estados, provocando a formação dos Blocos. Os Blocos se sustentaram pela proteção militar e colaboração econômica mútuas. Os Estados Unidos colocaram em prática um plano de ajuda econômica, o Plano Marshall, com a finalidade de apoiar a reconstrução dos países da Europa ocidental.
Em 1949, os Estados Unidos promoveram a criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), também chamada de Aliança Atlântica, que se encarregou da coordenação da aliança militar entre os países integrantes do Bloco ocidental.
A União Soviética, por sua vez, criou o Comecom (Conselho para Assistência Econômica Mútua), em 1949, organização que coordenou a política de colaboração e integração econômica entre os países socialistas do Leste europeu. E, em 1955, os soviéticos promoveram a criação do Pacto de Varsóvia, que representou a organização militar dos países socialistas do Leste europeu.
No transcurso da Guerra Fria, a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial foi uma ameaça real. Mas o equilíbrio de poder (balance of power) proporcionado pela existência das armas nucleares, e com elas a garantia da "destruição mútua assegurada", evitou que os Estados oponentes declarassem formalmente guerra um ao outro.
Estrutura
Os Blocos podem ser concebidos como "subsistemas", porque funcionam com base em regras distintas das prevalecentes no sistema internacional. Os Blocos se sustentam por meio de uma estrutura hierárquica entre os Estados membros, com a proeminência de um Estado líder, que é aceito por todos os outros Estados membros em razão de sua superioridade militar e econômica, além de outros aspectos.
A ordem hierárquica que sustenta os Blocos deixa transparecer, porém, uma condição de subordinação (ou dominação) devido à superioridade do Estado que ocupa a liderança. Por esse motivo, os Blocos enfrentaram tentativas declaradas, por parte de certos Estados membros, de "subversão" ou abandono dos compromissos firmados.
No caso do Bloco socialista, a revolta na Hungria, em 1956, e a liberalização política na ex-Tchecoslováquia, em 1968, foram eventos dramáticos que acabaram por gerar reações da União Soviética, cujo desfecho resultou na invasão dos dois países por parte de forças militares pertencentes ao Pacto de Varsóvia.
O Bloco Ocidental, liderado pelos Estados Unidos, também enfrentou demonstrações de rebeldia ou abandono dos compromissos por parte de alguns Estados membros. Mas, neste caso, devido ao fato de os Estados membros serem politicamente fortes e adotarem sistemas políticos democráticos, o desfecho resultou em negociações diplomáticas visando restabelecer a ordem hierárquica, muitas vezes com a concessão de prerrogativas.
O exemplo mais notório envolveu a França, que, a partir da década de 1960, por influência do gaullismo (política concebida pelo presidente Charles de Gaulle) adotou uma política externa independente; ou seja, de não-alinhamento a nenhum dos Blocos.
Neste caso em particular, a França permaneceu como Estado membro da OTAN. Mas, evidentemente, quando se tratou de Estados fracos, que não pertenciam ao Bloco Ocidental mas eram considerados aliados, os Estados Unidos enfrentaram as ameaças de subversão promovendo golpes e o estabelecimento de regimes autoritários ou ditatoriais, civis e militares.
A ordem hierárquica que sustenta os Blocos deixa transparecer, porém, uma condição de subordinação (ou dominação) devido à superioridade do Estado que ocupa a liderança. Por esse motivo, os Blocos enfrentaram tentativas declaradas, por parte de certos Estados membros, de "subversão" ou abandono dos compromissos firmados.
No caso do Bloco socialista, a revolta na Hungria, em 1956, e a liberalização política na ex-Tchecoslováquia, em 1968, foram eventos dramáticos que acabaram por gerar reações da União Soviética, cujo desfecho resultou na invasão dos dois países por parte de forças militares pertencentes ao Pacto de Varsóvia.
O Bloco Ocidental, liderado pelos Estados Unidos, também enfrentou demonstrações de rebeldia ou abandono dos compromissos por parte de alguns Estados membros. Mas, neste caso, devido ao fato de os Estados membros serem politicamente fortes e adotarem sistemas políticos democráticos, o desfecho resultou em negociações diplomáticas visando restabelecer a ordem hierárquica, muitas vezes com a concessão de prerrogativas.
O exemplo mais notório envolveu a França, que, a partir da década de 1960, por influência do gaullismo (política concebida pelo presidente Charles de Gaulle) adotou uma política externa independente; ou seja, de não-alinhamento a nenhum dos Blocos.
Neste caso em particular, a França permaneceu como Estado membro da OTAN. Mas, evidentemente, quando se tratou de Estados fracos, que não pertenciam ao Bloco Ocidental mas eram considerados aliados, os Estados Unidos enfrentaram as ameaças de subversão promovendo golpes e o estabelecimento de regimes autoritários ou ditatoriais, civis e militares.
Socialismo e capitalismo
Mais do que duas nações, Estados Unidos e União Soviética representaram o antagonismo entre dois modos de organização da sociedade, da economia e das relações políticas. Sendo assim, a chamada “guerra fria” simboliza o enfrentamento dessas duas ideologias fomentadas pelo suporte ideológico dos valores de ordem socialista e capitalista. Além disso, devemos destacar que a “guerra fria” ganha esse nome por não observarmos um confronto direto entre soviéticos e norte-americanos.
Na verdade, ao longo dessa época, a Guerra Fria se desenvolveu através de ações governamentais pelos líderes de cada bloco, cada um interessado em expor a hegemonia do sistema que representava. Desse modo, filmes, cartazes, textos e outras manifestações são vistas como um modo de propagandear a visão de mundo de cada um dos blocos. Apesar de significativas, tais manifestações culturais não encerraram a questão do desenvolvimento da guerra fria.
Visando manter a hegemonia em suas áreas de interesse, os envolvidos na Guerra Fria montaram grandes planos de ajuda financeira para auxiliar as nações que sofreram os efeitos e perdas decorrentes da Segunda Guerra Mundial. Entre os norte-americanos, o Plano Marshall determinou o envio de dinheiro para nações da Europa Ocidental e do Continente Americano. Já na União Soviética, o Comecon estabelecia os mesmos objetivos com os países integrados ao socialismo.
Além de tais recursos, os blocos desse sistema bipolar se envolveram em questões políticas que estavam relacionadas a expansão e a retração do capitalismo ou do socialismo ao redor do mundo. Sendo assim, a guerra fria é marcada pela intervenção ou o auxílio militar de exércitos que defendiam o interesse ideológico do bloco que representavam. A Guerra da Coreia, a Revolução Chinesa, a Guerra do Vietnã e a própria Revolução Cubana expõem a ação capitalista e socialista em tal situação.
Nessas situações de conflito indireto, acontecia paralelamente uma corrida tecnológica e armamentista que também demarcou o auge dessa disputa. O desenvolvimento de armas nucleares, o anúncio de novas tecnologias de destruição, o aprimoramento de armamento militar, a ampliação de exércitos e até a exploração espacial figuravam nesse outro braço da disputa dos blocos. Sendo assim, a Guerra Fria determinou o gasto de quantias exorbitantes.
Por volta da década de 1970, observamos que essa tensão passou a se enfraquecer com a assinatura de acordos que estabeleciam a distensão da corrida armamentista. Logo em seguida, o colapso da economia soviética determinou a realização de mudanças estruturais na economia da grande nação socialista. Ao fim da década de 1980, a crise do socialismo soviético e a queda do Muro de Berlim demarcaram historicamente a desintegração do